PAZ e LUZ!

Paz e luz
Não era exatamente deste modo que pensei em começar o ano escrevendo… mas as circunstâncias movimentam meu ser a querer expressar algumas palavras de solidariedade…. neste momento de luto no país.

Como alguém que já perdeu um ente, posso imaginar o buraco que estas pessoas possam estar sentindo.. e que não há palavra alguma que poderá amenizar a dor de suas almas. Perder minha mãe foi uma dor imensurável… por mais que seja a ordem natural da vida, esperamos estar um pouco mais de tempo com nossos pais… porque queremos com eles compartilhar sonhos, os bons momentos em família, as realizações, as bobeiras corriqueiras… E sendo assim, se perder alguém na ordem natural já foi muito difícil… não posso imaginar o que seja a dor de perder um filho!

Tenho certeza de que palavra alguma pode neste instante trazer acalento… mas se existiu algo que me deu conforto foi o afeto e solidariedade que recebi de muitas, muitas pessoas, inclusive de pessoas que eu nem mesmo esperava.

Ainda é cedo para qualquer palavra… o choque toma conta. Ainda não é possível acreditar… ainda vai levar um tempo para ter noção do que acontece… então, neste momento, mando apenas um abraço silencioso… que busca de alguma forma acalentar ou inacalentável…

E depois de algum tempo, quando as palavras começarem a voltar a ter sentido, eu gostaria de poder dizer a cada um deste pais que chorem, permitam-se sentir toda a tristeza que toma conta de seu ser.. mas que a serenidade e a luz divina possam invadir suas almas, para que a tristeza não se transforme em desespero.. . que chorem a dor, mas livres de qualquer culpa…

Sim, romper com a ordem natural da vida pode, compreensivelmente, conduzir a muitas revoltas, e a muitas perguntas sem respostas…. por isso, se eu pudesse conduziria o pensamento destas pessoas que sofrem, e muito especialmente aos pais de tantos jovens, a pensarem que seu ente querido estava preso em um casulo, e agora paira livre como uma bela borboleta…

Mas sei o quanto é difícil ouvir cada uma das muitas palavras que lhes chegam neste momento… por que nada pode levar a compreensão.
Por isso , neste instante, venho aqui.. porque embora não possa soprar ternura e dar um abraço solidário em cada pai que perdeu o seu filho, em cada pessoa que perdeu um ente querido, jogo estas palavras ao vento, para que o universo possa lhes levar uma grande onda de serenidade, e muita Luz.

Josi Sonagli

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Meus votos para o Ano Novo!

Festas
Enfim, estamos finalizando mais um ano!

Antes de sair para minhas desejadas férias, em que vou dar um respiro total a minha mente, vou fazer uma breve análise do ano!
Para uns o melhor ano; para outros um ano de grandes desafios… emoções melhores, poucas emoções… o meu posso dizer que foi um ano para lá de intenso! E tenso também! Fortes emoções em ambos aspectos: momentos de verdadeiro desespero e pavor.. momentos outros de realização! De sonho, e, posso dizer, de verdadeiros milagres!

Este ano eu compreendi com profundidade aquela famosa frase de que “A fé move montanhas”! Incrivelmente, move mesmo! Realizei coisas que queria muito… mas que eram sim impossíveis aos meus olhos! Apenas insisti em acreditar muito no que queria.. e, para minha grata surpresa, realizei! Um misto de alegria e espanto!

Mas antes da realização, tiveram momentos de muita, muita tensão, medo e pavor! Mas eu vinha de um momento tranquilo… tranquilo até demais para ser sincera, de modo que hoje compreendo que o cultivar constante de uma Fé derrama sobre nós forças impressionantes nos momentos que mais precisamos! Não era um momento nada desejado, mas eu não reclamava. Não sei se era meu desejo, ou minha intuição, mas eu simplesmente sentia que eu precisava transpor aquelas barreiras, para que meu objetivo se realizasse!

E hoje, findando o ano, vejo que não, não colhi tudo que desejava não, estou sendo bem sincera. Queria ter colhido mais! Santa impaciência.. uma parte dos frutos ficará para o ano que vem, fazer o que! Mas… em compensação.. o fruto que veio… foi sem dúvida o melhor que poderia ter vindo! Minto, foi muito mais! Foi verdadeiramente muito melhor do que eu havia imaginado.

E depois disso tudo, quando vem o momento de desejar boas festas, eu paro para refletir as palavras que direi aos meus afetos. Gosto que minhas palavras tenham um significado a mais, e retratam aquilo que realmente quero dizer, e não apenas o que a praxe diz.

Em regra, desejamos paz, felicidades, amor.. realização, sucesso.. e
tudo tudo de muito bom para o próximo ano!
Desta vez, entretanto, vou ousar quebrar a praxe. Isso tudo muita gente vai falar!

Eu vou então desejar apenas Equilíbrio e Discernimento, para que você, e eu, e minhas queridas pessoas saibamos enfrentar com sabedoria as encruzilhadas da vida! Sim, sinceramente, não desejo que seu ano seja completamente de paz. Paz em excesso também cansa! Gera monotonia! Não nos dá motivo para lutar, vencer, comemorar e evoluir!

Temos medo dos problemas.. mas depois que superamo-os, vemos o quanto eles foram necessários em nosso caminho!
Por isso, desta vez, vou desejar a todos um ano temperado com desafios e dificuldades suficientes para fazer florescecer equilíbrio, luz e Fé e para que, cada um, ano final do ano, possa se surpreender com a força que incrivelmente pode surgir de dentro de seu ser!

Feliz Natal e um Surpreendente 2013!

E, por fim, muito obrigada a todos pela companhia da leitura e pelas palavras de incentivo neste projeto gostoso!

Um grande abraço!

Josi Sonagli

Armadilha do Sucesso!

sucesso
Dizem que em time que esta vencendo, não se mexe.
Creio eu, entretanto, que esta máxima deveria ser revisada. O sucesso, a realização em qualquer campo da vida traz como consequência, além da maravilhosa sensação de vitória e desejo de comemoração, o conforto e a ideia de que “chegou o momento de usufrui”.

E é justamente neste momento – penso eu – que nos deparamos com uma grande armadilha da continuidade do sucesso: o próprio sucesso.
O contentamento absoluto, enquanto meta, é a força propulsora da luta. Mas, quando vira realidade… traz consigo o indesejado comodismo.

Reconhecer os próprios méritos, comemorar as boas colheitas e se permitir relaxar é sim, preciso. Porém, assim como no caminho da luta deve-se dedicar um tempo ao descanso, também no momento do conforto da vitória é importante dedicar uma atenção a luta.

O mundo é literalmente um círculo em momento. E diga-se, em alta velocidade. Mudam-se os hábitos. Muda a cultura. É preciso que estejamos atentos às mudanças, para não perdemos a percepção da realidade em que vivemos. E isso vale tanto para o campo das relações pessoais como na área dos negócios profissionais.

O que deu certo em determinado momento, pode tornar-se ultrapassado e sem efeito, em instantes seguintes. E então, continua-se a fazer as mesmas coisas, agir da mesma maneira, observar o mesmo processo.. sem colher os mesmos frutos! E daí vem o desespero, as dúvidas, a busca por respostas inexistente: é simplesmente o momento que clama por novas atitudes.

No campo dos negócios, vemos diversas empresas que um dia dominaram o
mercado por determinado período, cujo sucesso encheu o brio e os olhos dos administradores a ponto de não enxergarem o momento de inovar. Decaíram, porque insistiram em continuar com os métodos defasados… por orgulho diante da necessidade de mudar; de seguir novas ideias.

Também assim nos relacionamentos afetivos, muitas vezes reclamam os pares que o outro mudou, que não é mais o mesmo, por isso as coisas esfriaram e acabaram. De fato, todo aquele que busca evoluir vai modificando certos comportamentos ao longo do tempo. Apenas estátuas não mudam. Esperar que o outro atenda ao longo da vida sempre as nossas expectativa, e seja sempre aquilo que sonhamos é se confortar demais com o sucesso alcançado no amor, e deixar que o comodismo nos engesse, nos cegue, e nos impeça de evoluirmos.

Por isso, ao atingirmos o sucesso, brindemos, louvemos e continuemos o movimento, atentos às mudanças que ocorrem a nossa volta, e que exigem de nós inovações de comportamento e atitude para realizá-las.

Josi Sonagli

REFORMA DO CÓDIGO PENAL: o problema está na lei ou na educação?

Cadeia
Um tema que atualmente tem sido objeto de discussões na mídia, nos meios acadêmicos e sociais, é a necessidade de reforma do Código Penal.

Muito estudiosos do tema debruçam-se sobre um amplo estudo sociológico e jurídico, com o objetivo de introduzir na ordem jurídica leis que possam efetivamente reduzir a criminalidade.

Afirma-se que o Brasil “é o país da impunidade”, motivo pelo qual a criminalidade é crescente! A partir de tal constatação, o poder público, juntamente com a sociedade, mobiliza-se para promover mudanças legislativas, e aplicar uma punição mais severa.

Porém, neste quadro, ocorre-me um questionamento? É de fato a impunidade o elemento principal do avanço da criminalidade? Quais as reais razões que levam um indivíduo a praticar uma conduta criminosa?

Suponhamos que eu ou você estejamos diante de uma pessoa de quem temos uma raiva absurda, e esta pessoa faz uma provocação ou pratica diversas condutas que nos causam prejuízos e dissabores. A nossa reação imediata, muitas vezes, é querer dar uma surra ou um sumiço na pessoa!

Porém, se consideramos que somos pessoas bem instruídas, e como consequência temos diversos planos de vida, de viajar, de adquirir coisas, bem viver.. nós teremos um controle imediato sobre nossos instintos, pois sabemos que há coisas muito melhores a serem vivenciadas.

É verdade que pessoas bem instruídas também cometem crimes, bem sabemos. Porém, o que leva uma pessoa que tem um mínimo de cultura e visão social deixar de praticar crimes: o medo efetivo da reprimenda ou o temor de ter que mudar todos os planos de vida?

A educação, a cultura, instigam a atividade criativa; despertam as pessoas para idealizar metas, desejar determinado estilo de vida, e isso independentemente no nível socioeconômico: cada qual idealiza as metas que bem entende, e segue atrás do seu caminho.
Porém, um indivíduo sem a menor cultura, sem qualquer objetivo de vida, vai temer o que?

Por mais rígidas que sejam as leis penais, mas diante da intensificação das campanhas em prol dos Direito Humanos de todas as pessoas, dificilmente um indivíduo vai sofrer as reprimendas em grau máximo, sempre sendo possível, ainda, favorecer sua condição por um benefício aqui e outro ali.

Sem educação, um indivíduo não tem a percepção de desejar um nome limpo; não tem uma concepção moral formada a ponto de compreender que praticando um crime (seja homicídio, seja tráfico de drogas, etc, etc), estará destruindo a vida de muitas pessoas relacionadas com a vítima direta de sua conduta….

Sem educação e cultura… o indivíduo não tem percepção do que significa respeito… mas principalmente.. não tem um objetivo de vida a ser alcançado.

E se não há ideais e sonhos a serem perseguidos, não tem nada a perder. Não fará diferença responder um ou mais processos, ou passar um tempo a mais privado da liberdade, já que não terá mesmo nada mais interessante para fazer…

E se desafiar a lei e a sociedade podem trazer alguma satisfação pessoal , ainda que apenas pelo gosto do desafio.. a tendência é que o indivíduo continue a delinquir até que desenvolva uma percepção de que existem coisas muito mais prazerosas a serem feitas. Pois bem, eis a questão: como um indivíduo vai aprimorar a sua percepção sem um mínimo de cultura e educação?

As pessoas movem-se por aquilo que lhes desperta o interesse! O medo punição pode fazer com que as pessoas cuidem mais de suas ações… mas enquanto a prática do crime for a única coisa que desperta emoção no indivíduo, será, um lei mais severa, capaz de fazer alguma diferença?

Josi Sonagli

O que você fez em 2012?

Em 2012 comprei uma bicicleta. Comprei uma bicicleta e decidi ser feliz. Ser feliz significa se autoconhecer, aceitar todas as características entranhadas em nosso DNA e aquelas adquiridas ao longo da vida. Hoje, prefiro potencializar qualidades e trabalhar arduamente para minimizar meus defeitos.

Quando você compra uma bicicleta muitos conceitos mudam…. o vento que sopra no ouvido é uma música e você sente o amor. Amor pela vida, amor por si mesmo e por todos que te rodeiam. As pedaladas te fazem acreditar nas descobertas e que realmente, a simplicidade da vida é o que dá sentido aos dias, às horas e aos minutos. Cada segundo tem seu valor, e, invariavelmente não volta mais.

Casar ou comprar uma bicicleta? Quando você compra uma bicicleta você casa. Sim, eu casei comigo mesma. Casei com meus pensamentos, com minhas vontades e com meu corpo. Aprendi a sorrir mais e a doar sem exigir.

Com a magrela aprendo que posso ser um nada entre os 7 bilhões de habitantes da Terra, mas que sou muito para aqueles que comigo convivem. Sou melhor pessoa quando vejo o sol e agradeço por estar aqui.

Fui feliz em 2012, tomei decisões, titubiei e voltei atrás, abracei, chorei, sofri e fiz sofrer. Algumas vezes não tomei decisão nenhuma e as coisas fluíram… colhi flores em jardins alheios, plantei flores no meu próprio e algumas vezes acabei colhendo espinhos. Tudo foi válido.

Inicia-se o mês das reflexões, o mês dos encontros de família, o mês da correria e do balanço final. No último dia do calendário anual tudo é esperança, tudo é motivação e mesmo que com tristezas, no simbólico 31 de dezembro estaremos com nós mesmos, estaremos ali, com nosso coração aberto, desejando que em 2013 tudo seja diferente, ou igual, para os satisfeitos.

Em 2012 comprei uma bicicleta, e sou mais feliz.

Mel

A BELA HISTÓRIA QUE EU QUERIA ESQUECER

Havia uma história que eu queria esquecer.
Não que não fosse uma boa história, mas, como tudo na vida, ela chegara ao fim.
E então, era preciso arrancar as raízes do aterro da alma, para que, livre, a alma pudesse viver novas histórias.

Mas o que fazer, se a história não te liberta? Se as raízes mais parecem feitas de concreto, do que de lembranças?

Desapegar é preciso; porém não é fácil. Decidi utilizar diversos recursos.

Outrora, uma estimada amiga – pessoa de grande espiritualidade – disse-me que nos momentos mais cruéis da vida podemos recarregar as forças com a energia divina, e utilizar, para isso, os recursos da natureza. Disse-me ela para que, quando eu sentisse necessidade, me colocasse em contato com os quatro elementos da natureza: terra, fogo, água e ar, ao mesmo tempo.

Sim sim, na teoria tudo belo, bonito e interessante. O apreciar a natureza – algo que me é próprio – fez com que eu achasse isso tudo muito lindo. Então.. pensei… “a idéia é boa sim, mas dá muito trabalho”.

A complexidade de cada coisa é algo que a gente define a medida de nossa necessidade. E, sendo assim, no ápice do meu desespero, a ideia já não me pareceu tão trabalhosa assim.

Não era verão ainda, mas morar em uma cidade de praia te deixa pertinho das forças da natureza, em qualquer estação do ano. Fui para uma praia.

“Terei ar, terei terra (areia), terei água”, pensei. O fogo, naquele momento, era o meu principal elemento: reunir as coisas materiais que transformaram em concreto a raiz da história que eu queria esquecer.

E assim, lá fui eu, rumo ao meu último recurso para detonar as belas e cruéis lembranças que me impediam de seguir. Cheguei em uma das lindas praias da cidade, e, como ainda era inverno, o chão de areia era praticamente minha exclusividade. Alguns surfistas pegando onda, raros caminhantes pela praia, e eu, com a história que tinha que apagar.

De posse do material, peguei minha caixinha de fósforo, tentando fortemente acreditar, que alguns simples pedaços de papéis queimados pudessem arrancar do meu coração a história que findara. Fazer uma fogueira na praia não é lá das tarefas mais fáceis. Então, cavei um buraco na areia e lá coloquei tudo aquilo que já me impedia de pensar.

Fogo, para mim, sempre foi sinônimo de pavor. Porém, é incrível como a cada momento, diante de cada necessidade, somos levados a ter uma nova percepção de cada coisa. E então, me vi ali, na imensidão daquela bela praia, sentada naquela areia fina, com uma brisa maravilhosa na face, e minha pequena fogueira, que aos poucos, fazia com que eu descobrisse, no fogo, um instrumento libertador.

Era meio espantoso tudo isso.. de um lado minha alma parecia estar ficando mais leve… de outro… eu parecia uma pessoa muito sem noção, queimando coisinhas em um buraco de areia na praia. Dá para ter noção? Acredite, cheguei até a acender um incenso (sim, consegui) para completar meu ritual! “Se é para apelar, que seja por inteiro”!

Mas, era, simplesmente, uma história que minha mente precisava apagar.

O fogo então acabou… olhei as cinzas das lembranças… imagine… a vontade é querer levar as cinzas embora, junto comigo! Mas olhe, a incoerência! Não fui ali mesmo para apagar? O que mais vou querer carregar, oh céus?!?!

E num ímpeto insano, peguei aquelas cinzas já misturadas com areia, e fui correndo em direção ao mar! Soltei tudo aos ventos, para que a vida levasse o que a alma não deixava, e enfim, me libertasse para o que mais eu ainda ansiava realizar!

Não posso explicar aqui, em palavras, o que senti ao ver o vento levando as cinzas daquelas boas lembranças, mas foi algo surpreendentemente libertador.

Parece sim, coisa louca, uma coisa nada a ver! Sim reconheço! Mas é realmente impressionante o que alguns pequenos gestos podem trazer de revitalizador para nossa alma!

Hoje já não me preocupo mais se as coisas que farei parecerão insanas ou sem sentido; se parecerão perda de tempo ou bobagem! Preocupa-me, apenas, fazer qualquer coisa que traga a paz e o equilíbrio, e que minha alma tenha sempre leveza ao viver!

Josi Sonagli

EXISTE DIREITO A UMA SEGUNDA CHANCE?

Esta semana, uma revista de circulação nacional trouxe como reportagem principal, a análise da vida de pessoas que foram condenadas pela prática de homicídios que chocaram o país, em razão das circunstâncias brutais em que foram cometidos.

Em todos os casos relatados, consta que os indivíduos cumpriram integralmente a reprimenda que lhes fora imposta, considerando-se os benefícios obtidos, de modo que atualmente consideram-se “quitados” com a justiça.

“Paga a dívida”, a reportagem retrata que todos buscaram seguir o rumo, e, após ingressarem no regime semi-aberto, dedicaram-se a caminhos alternativos para reconstruir a vida. Alguns ingressaram na faculdade, formaram-se e seguiram uma profissão; outros converteram-se a uma vida religiosa; alguns com mais facilidades financeiras, outros nem tanto. Mas, em todos os casos, nenhum dos condenados quites com a justiça, voltou a delinquir.

Ao contrário, embora tenham passado mais de 5 anos na prisão, por força do regime fechado, convivendo com vasta gama de marginais, não se contaminaram na universidade da delinquência.

Alguns arrependidos do passado, utilizam-se de recursos para não serem reconhecidos, tais como utilizar sobrenome de casado, ou um segundo sobrenome não divulgado. Outros ouvem silentes as críticas.

Todos, creio eu, gostariam de retirar da alma o fardo que carrega. E assim, buscam, em todos os casos, o recomeçar.

Neste ponto, me ocorre uma necessária análise: é certo que as vítimas não mais retornarão, e por certo a dor das famílias que perderam um ente de forma brutal, jamais cessará. O inconformismo e a revolta poderá, sim, lhes ser uma constante, atingindo inclusive pessoas alheias; pessoas como eu e você, que embora não tenha qualquer envolvimento mais íntimos, toma as dores das famílias das vítimas, e ficam perplexos com a narrativa dos detalhes da cena do crime.

Mas, e quanto aos acusados que cumpriram suas penas, tem estes o direito de recomeçar?

Se a lei dos homens estabeleceu uma reprimenda, de acordo com a estrutura da sociedade, e se o condenado a cumpriu integralmente, qual caminho agora deverá seguir? Pedir para que fique preso perpetuamente? Suicidar-se? Trancafinar-se dentro de casa? Continuar na criminalidade? Ou Recomeçar?

Muitos indivíduos cometem crimes isolados, movidos por um ímpeto de raiva ou de futilidade qualquer, que, após passar o sentimento, podem se arrepender profundamente. Em alguns casos, porém, mesmo cumprida a pena, será impossível retirar da alma toda a dor moral.

E se o indivíduo tenta superar o erro, ressocializando-se, que direito temos de “cutucar” ferida adormecida, para voltar trazer a tona, aquilo que bem queria esquecer? Não seria a dor moral que carregam o suficiente para “puni-los” perpetuamente?

E mesmo carregando o peso de uma culpa, ainda que por um ato insano, não poderá mais a pessoa sorrir? Trabalhar? Deverá sempre esboçar uma figura triste e vazia, com uma placa de arrependimento, para que as pessoas não pensem que não está nem aí?

O que cada um de nós espera, após cometer um erro irremediável: tolerância ou condenação perpétua? Um novo caminho ou o eterno inconformismo?

Penso que em uma sociedade onde a delinquência é quase um hobby, em que muitos entram pela simples emoção de transgredir, e a após, formam-se nas “universidades do crime”, o indivíduo que age em prol de sua ressocialização deve ser visto com outros olhos.

Errar é uma condição inata ao ser humano, tão certa quanto a morte. Desvendar o “porquê” dos erros, pode ser uma missão impossível. Porém, buscar uma solução para contornar o problema será o caminho da evolução.

Longe de ser esta uma manifestação em prol de criminosos – que fique isto bem claro – a proposta é despertar a tolerância e incentivo com aqueles que ousam enfrentar todas as marcas de um crime cometido e se permitiram “recomeçar”.

Afinal, se as pessoas cumpriram a pena que a sociedade lhe impôs, e não voltaram a transgredir, e em especial, buscaram um recomeço longe da delinquência, será necessário reviver por todo o sempre os erros do passado?

Quem nunca errou, que atire a primeira pedra.

Josi Sonagli