Uma semana com meu avô Hermenegildo

Primeiro dia chego de viagem e encontro ele sentado na poltrona na beira do fogo, faz muito frio. Mais magrinho do que o habitual, mas com o bom humor de sempre. Adora falar que tem um monte de gente pra mandar nele.

Meu avô Hermenegildo é daquelas pessoas que adora uma conversa, sem pressa e com atenção, ele sempre consegue tirar um sorriso das pessoas. Com ele aprendi que as pessoas são a coisa mais importante da vida, meu avô ama gente.

Segundo dia, acordo cedo 6 da manhã, me nego levantar da cama antes das 8, sensação térmica zero grau. Vejo o sol forte e me encorajo a sair e comprar pão pro café. Depois vou pra casa do Vô. Chego e ele ainda dorme, era já passado das 10h, se tudo tivesse normal nunca ele ficaria deitado até essa hora. Entro no quarto quietinho e vejo ele bem tapado de touca dormindo.

Vou dar uma volta e retorno, encontro ele tomando café. Combinamos de dar uma volta no início da tarde. Levo ele pra tomar um sorvete em Artigas. Um dos grandes eventos de minha infância em Quaraí, era passear na Lecueder e tomar um sorvete da Sudanfer.

Brinco, se ele recorda uma vez que na volta de Artigas que fingi que estava dormindo e fiz ele e a Vó forcejar pra descer do carro no colo. Quando me largaram na cama, e ele viu que estava acordado quase apanhei rsrs.

Tomamos um sorvete lagartiando ao sol. Na volta íamos ao barbeiro pra ele fazer a barba. Chegando lá, estavam quatro pessoas e o Vô que adora um bom papo já puxou assunto. O barbeiro brincou com ele sobre qual time ele torcia, pois me viu com a camisa do Grêmio.

Nesse momento, escutei uma história que ele contou que eu não conhecia. Comentou que alguém reclamou pro pai dele que ele não fazia nada, só jogava futebol. Disse que nesse dia levou a maior bronca do pai e nunca mais se interessou por futebol. Até hoje nunca descobri o time do Vô e escutando essa história acredito que ele nem tenha um time mesmo. Quando olhamos jogos ele torce para o time do neto que está junto no momento.

Fez a barba e partimos. Fomos comprar uma linguiça para fazer um choripa a noite, e escutamos barulho de festa ali perto e fomos por curiosidade lá. Meu avô apesar dos 83 anos enxerga muito bem, lembro quando caçavamos perdiz, na minha infância, ele sempre via onde elas se amoitavam. Chegamos na festa e de cara ele viu uma sobrinha dele, foi lá, conversou, fez as pessoas do círculo rirem um pouco e partimos pra casa. Perguntei se queria dar mais alguma volta, disse que não e percebi que ele estava cansado.

Terceiro dia, era um domingo. O Vô e a Vó iam almoçar com alguns amigos/parentes, levei eles até lá, cumprimentei a parentada e fui almoçar com meu pai, e com o avô João Érico. Tínhamos combinado com meu Tio de levar o Vô Hermenegildo em campanha, mas a chuva e o frio impediram. Reagendamos para o próximo dia de sol.

Quarto dia, mais um dia frio no inverno gaúcho. Chego pela manhã e encontro o Vô tomando café. Conversamos um pouco e no início da tarde, uma sobrinha aparece pra visitar ele. Muito divertida e engraçada com as histórias de suas filhas, anima o ambiente.

No final da tarde saímos para dar uma volta em Artigas. Encontrou um conhecido no freeshop, conversou, riu e fez rir e voltamos pra casa, pois o frio tinha intensificado. No dia seguinte se o tempo ajudar íamos caçar perdiz, com ele, meu tio e primos.

O dia amanheceu com um sol forte, que ameniza o frio. Tudo certo e partimos pra campanha no início da tarde. Logo que entramos na estrada o sol sumiu entre as nuvens e não mais apareceu. Com isso a desculpa para a ida para a campanha que era caçar perdiz ficou prejudicada. Chegamos na campanha, olhamos rapidamente os bichos, pegamos um pouco de lenha e voltamos. O Vô faceiro e contando histórias, mas mais quieto do que o seu habitual. Uma tarde pra voltar no tempo e relembrar os sábados no campo em minha infância com a companhia dele, muitos aprendizados diários. Nunca vi meu Avô levantar a voz pra ninguém, sempre teve muita paciência e bom trato, seja quem fosse.

Sexto dia, a temperatura segue baixa, uma neblina constante caracteriza ainda mais o inverno gaúcho. Nesse dia tínhamos combinado um churrasquinho. O Vô sempre gostou de reunir a família, e a desculpa era o churrasco. Com ele aprendi que só se deve colocar a carne no fogo quando ao menos um convidado tenha chego, ele sempre diz, tem que chegar, conversar, curtir e depois comer. Não gostava que chegassem, comecem e fosse embora.

Todos reunidos, ele contou a história do dia que atolou um avião, com um irmão. Vinham de Santa Maria, algumas boas décadas atrás até Quaraí de avião, ele era o copiloto. Em Quaraí sabiam que eles viriam e todos se reuniram para aguardar a chegada, para fazer um agrado para os expectadores, o meu Tio Avô, piloto, deu um rasante mal calculado, o avião encostou no solo, entortou o trem de pouso e por muita sorte o avião ficou literalmente atolado no chão, sem ninguém se machucar. Já ouvi muitas vezes essa história, quem ainda não conhecia era um dos bisnetos e ele sempre adora contar, sinto que ele volta a época do fato. Uma noite fria de inverno que se tornou quente e agradável pela reunião familiar.

No sétimo dia, o frio se repetiu, cheguei um pouco antes do meio dia, almocei lá. O Vô não consegue comer mais sólidos, mas graças a prescrição de minha esposa, que é nutricionista ele está muito bem alimentado e com bastante energia, considerando obviamente o quadro que ele se encontra.

Um pouco depois do meio dia meus primos fizeram um homenagem muito legal para o Vô e pra Vó, era o dia dos avós, uma homenagem simples, mas de coração. Escreveram um texto e cada um leu uma parte, ao final vi meu primo, o mais velho derramar uma lágrima. Aquilo foi muito emocionante. O Vô e a Vó ficaram muito felizes com o gesto deles, o amor retratado nas coisas simples tem um significado imensurável. Não gastaram um real com o gesto, e com certeza foi o melhor presente que poderiam ter dado.

Vivo uma mistura de sentimentos, gratidão por ter tido a oportunidade de ficar uma semana com meu avô, fazendo o que ele gosta, relembrando histórias, triste por que talvez seja a última vez que veja ele bem, o diagnóstico médico não é animador. Sei que o amor e o cuidado não são medidos nos frios números das estatísticas, mas estamos vivendo uma despedida, com muito amor e cuidado, tentando criar ferramentas para lidar com a saudade física que virá.

A vida é muito boa e especial, independente de todas dificuldades e desafios que ela nos impõe, crescemos diariamente e nos tornamos melhores.

Viva como se hoje fosse seu último dia, não traía você, cada pessoa deve ser a pessoa mais importante do mundo pra si mesmo, só podemos dar o que temos, se ame, se cuide, e conseguirá amar e cuidar o próximo.

Amo meu Avô, e não é por que é meu familiar e sim pelo exemplo de vida e valores que ele me passou, aos quais a maioria compartilho em minha vida.

Frederico da Luz – 27-07-2018

Descanse em paz bixito!

Sei que estás em um lugar bom e rodeados de amigos! Te amo!

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A MULHER

No dia Internacional da mulher sugiro uma reflexão…
Você mulher conhece sua essência única que te faz diferente de qualquer outra?
Você respeita essa essência? Você sabe que você é A MULHER?

Se todas soubessem que a grande beleza e força de cada mulher está em ser diferente, que não precisa ser o que os outros querem que ela seja. Não precisa ser perfeita, não precisa ser magra, não precisa ser a melhor, não precisa de nada, basta ser você, com suas qualidades e defeitos.

Esqueça sociedade, amigos, família e tudo que não te permita ser quem você é…
VALORIZE, AME, RESPEITE e CUIDE da pessoa mais importante do mundo, VOCÊ.

Vocês mulheres são o pulsar do mundo, o sentimento, o que dá sentido as coisas, sem muitas vezes entender o sentido, bastando sentir. Vocês são a melhor definição do amor, no seu trato com o mundo.

Parabéns pelo seu dia, pela força, pela luta e por existirem e darem sentido a vida!

Frederico da Luz – 08-03-2019

O escritor, o texto, o leitor e a vida

Escrever é uma arte, que envolve coragem, sentimento e loucura. As palavras surgem, o texto toma forma e a magia acontece. As palavras tentam expressar muitas coisas, no entanto, elas têm limites, não conseguem tudo que o escritor almeja, muitas vezes nem ele sabe direito o que quer.

As palavras são o “toque “ que o escritor gostaria de dar no leitor…. esse toque é sentido de forma única e particular por cada um. O “tocado” tem história e experiências que lhe permitem sentir do seu modo.

O escritor quer dizer A, o texto sai mais ou menos B e o Leitor lê C… Me refiro a textos sobre sentimentos, sensações e tudo onde a lógica perde o sentido, o importante é se permitir sentir…

Nesse campo do sentir, as palavras ganham e perdem importância. A forma como o texto surge e como é recebido por quem lê, nesse caminho, se cria ou não a magia, se desperta ou não o sentimento, se sente ou não o “toque”…

E tudo isso é vida… onde nos permitimos ou não, sentimos ou não, vivemos ou não…

E você? Sim, ou não?

Frederico da Luz – 24-02-2019

As duas certezas da vida

Na vida a regra é a impermanência, tudo muda a todo momento, inclusive nós. As experiências nos fazem crescer e amadurecer, alguns tornam esse processo leve e feliz, tudo depende da forma como encaramos as coisas.

Algumas pessoas lutam e tentam controlar o incontrolável, o que só gera gasto de energia e frustrações, outras optam e aceitam que não temos controle sobre a maioria das coisas, e aprendem a viver e crescer com toda as situações da vida.

Outra regra da vida é a morte. Ninguém consegue fugir dela, para morrer basta estar vivo. A única incerteza em relação à morte é quando e onde ela chegará. Algumas pessoas encaram isso com naturalidade, outras morrem de medo até de falar sobre o assunto. Quem está certo?

Cada pessoa é um mundo, entre as certezas que a vida nos dá estão a impermanência das coisas e a morte. E como aproveitamos essas duas “certezas” para ter uma vida feliz?

Há relatos de pessoas que já viveram situações de quase morte, que nesse momento passa um flashback (resumo) das situações mais marcantes que vivemos. Acredito que a felicidade está na forma como conseguimos aceitar e nos adaptar as mudanças. Bem como lutar contra o que podemos modificar e transformar, pois uma atitude meramente passiva frente a tudo não teria muito sentido.

E o dia que a morte bater a nossa porta, possamos ver um lindo flashback de intensos sentimentos e a tranquilidade e paz que tudo valeu a pena.

Frederico da Luz – 17-01-2018

Resiliência e aprendizado

Algumas situações na vida nos colocam a pensar…

Por que isso está acontecendo?

Eu mereço viver esta situação difícil?

Olhamos ao redor e parece que o outro sempre está melhor que nós. Que a vida não é justa.

Tenho uma informação pra você. A vida e o mundo não giram ao redor de ninguém, as coisas não acontecem para você, felizmente, ou infelizmente não somos tão importantes ao ponto do universo e da vida funcionarem como se fossemos a coisa mais importante do mundo, não, não somos.

O mundo é imenso, somos uma pequenina parcela dele. Aceitar as coisas que não podemos mudar e aprender com elas nos tornam mais fortes. Tem uma frase que gosto muito:

– A dor é inevitável. O sofrimento é opcional. – Carlos Drummond de Andrade

Não temos o controle sobre os acontecimentos e situações que a vida nos impõe, no entanto, como nos deixamos impactar com eles, e nossas atitudes frente a esses acontecimentos fazem a total diferença.

A escolha é simples.
Seremos o pobrezinho, a vítima?
Ou enfrentarmos a situação da melhor forma possível? Com coragem, AMOR e fé…

A vida não é fácil, ela vive nos surpreendendo, nossa postura e atitude fazem a total diferença.

Frederico da Luz – 31-12-2018

Cobre ou ACEITE?

Cobre os outros!

Que façam o que você deseja e quer…
Que tudo sai do jeito que você pensou…
Que a vida seja perfeita e feliz…

ACEITE os outros!

Como eles são, com defeitos e qualidades…
Com amor e empatia…
Com um sorriso sincero e acolhedor

A vida é uma eterna surpresa… cobranças e expectativas excessivas não nos permitem aproveitar tudo que ela oferece… quando tentamos determinar o que deve acontecer, colocamos a vida em uma caixinha limitada, e tudo que foge do esperado não é vivido, pois não nos permitimos aceitar o que ela oferece… queremos o controle…

Largar o controle é libertador, aceite o que a vida te oferece, mesmo que não seja o que você sonhou, vivemos para crescer e aprender, a escolha é nossa. Os ensinamentos serão assimilados ou brigaremos porque as coisas não saíram da forma desejada?

Você cobra ou aceita os outros?

Você permite ser cobrado ou aceita o que você é?

Como a palavra… VOCÊ.

Frederico da Luz – 03-11-2018

Crianças

A esperança do mundo?
A pureza e inocência?
A espontaneidade e doçura?
O amor simples e completo?

Ser criança é ser feliz, sem se preocupar em ser de esquerda ou direita.

É aprender observando, escutando, sentindo… É não ter crenças prontas que não permitem crescermos juntos, é não saber de tudo e ser feliz mesmo assim. É viver o presente, sem medo do futuro.

Ser criança é estar em contato com nossa essência. Permita se resgatar a criança que existe em cada um de nós, que vamos calando e deixando de lado, brincar, sorrir, errar, fazem parte da vida. Alimentem a criança que vive dentro de vocês.

Vamos resgatar o amor puro da criança que já fomos e ainda existe em nós, que em tempos de extremismos e alienação, esquecemos de cuidar.

Cuide de si, alimentando a criança que você também é, resgatando o amor, o respeito, a empatia, sentimentos que dão sentido e deixam a vida mais leve…

Quando não souber o que fazer, escute a criança que existe dentro de você, pergunte o que ela faria? Possivelmente isso trará muitas respostas… Não consigo escutar, ou lembrar… olhe uma criança, observe, as respostas aparecem quando estamos preparados para elas…

Um feliz dias das crianças a todos as crianças que existem dentro de cada um!!!

Frederico da Luz – 12-10-2018