
Atualmente tudo muda em um piscar de olhos, o que antes levava séculos, hoje alguns anos são mais que suficientes. A informação é global, se acontece algo em algum lugar há reflexo imediato em todo mundo, praticamente no mesmo instante. Todo esse contexto, correria, transformação e constante mudança, afetaram os relacionamentos. A relação homem mulher, melhor dizendo, a relação de amor entre duas pessoas, independentemente de sua opção sexual.
Atualmente é mais fácil, trocar, mudar do que consertar. E isso se reflete nas relações, há algumas décadas atrás, conseguir pegar na mão da menina levava alguns meses, hoje para transar não precisa mais que algumas horas de conversa, em algumas situações nem isso. Em que parte da “evolução” (ou melhor, desevolução – não sei se existe essa palavra) esquecemos da afetividade, do carinho, da conquista, do andar de mãos dadas?
As relações entre as pessoas tornam-se frias e distantes. Senão rolar o sexo do prazer total, se ambos não forem sarados, felizes, realizados, não vale, não basta, falta algo… no outro. E ai o que acontece? Como se fosse um objeto qualquer trocamos, a culpa não é minha e sim do outro que não serve, e segue-se no ciclo, não deu, joga fora, tem outro logo ali.
Entendo que o Amor hoje em dia é uma escolha entre duas pessoas. Antes dele acontecer, ambas precisam ser felizes, se bastarem para si próprias, se amarem, apesar dos defeitos que cada um trás consigo, somos humanos, logo essa condição da imperfeição é comum a todos, senão estaríamos em outro plano, não aqui.
Ainda hoje nos surpreendemos como alguns relacionamentos duram tanto tempo. Falando um pouco de mim, tenho o privilégio de ter todos meus avôs vivos, casados e felizes. Ambos têm mais de 50 anos de casados, fora o tempo de namoro. Tenho certeza que durante esse tempo tiveram crises, dificuldades, mas também muitos momentos de felicidade e alegria. Uma frase que li no facebook, me chamou a atenção e me tocou. Perguntaram a um casal com mais de 60 anos de casados, como a relação deles dura tanto tempo? Eles responderam:
– No nosso tempo quando as coisas se estragavam, ou não iam bem, a gente consertava.
Fiquei alguns minutos refletindo sobre isso, e concluí o quanto de verdade há nesta frase. Hoje ao menor dos problemas, nos desfazemos das pessoas. É mais fácil, mais conveniente. Se enxergar e perceber que provavelmente o problema não esteja no outro e talvez em si próprio não seja algo agradável de fazer, tão pouco sentir as sensações que isso provoca. A reflexão inquieta, às vezes deprime, dói olhar lá no fundo, mas vale à pena encarar, isso gera descobertas incríveis.
Enfim, nos venderam, pelo menos na minha infância, os relacionamentos “propaganda de margarina” família feliz ao redor da mesa, todos lindos, cheirosos e felizes. Sabemos que as coisas não são sempre assim, mas mesmo não sendo, eu contínuo acreditando no Amor, pois acredito nas pessoas…
Frederico A. S. da Luz – 03-05-2012