O braço que sobra

Hoje vou escrever sobre um assunto extremamente útil e relevante. Por que não temos um braço que desencaixe? Tipo assim, que pudéssemos tirá-lo quando fossemos dormir. Existem posições onde um dos braços seria totalmente dispensável. Vou explicar melhor essa teoria.

Quando estamos lá, dormindo de lado, bem tranqüilos, é foda arrumar o braço que fica embaixo, ou ele fica esmagado pelo corpo e acorda volta e meia dormente, ou então fizemos alguma ginástica para acomodá-lo de outra maneira. Já quando estamos dormindo de conchinha com alguém (saudade disso), onde enfiamos o bendito?

Não sei como até hoje não foi realizado nenhum estudo ou tese que supra essa necessidade vital da vida moderna. Confesso a vocês que nunca tinha refletido a respeito, os méritos dessa reflexão não são meus, e sim de uma conversa muito profunda via facebook.

Enfim, se algum cientista, médico, fisioterapeuta, professor de educação física estiver lendo esse texto, por favor, reflita e ajude a sociedade a resolver esse problema social que aflige praticamente toda população.

Vou seguir sonhando com meu braço que desencaixa…

Frederico A. S. da Luz – 16-05-2012

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One thought on “O braço que sobra

  1. Acordou. Em parte. O braço esquerdo continuava adormecido, e só com algum esforço foi capaz de retirá-lo de debaixo do travesseiro onde a esposa repousava a cabeça, ressonando levemente.
    Sim, “ressonando”. Coisa de amador. Quem roncava ali era ele, um pouco mais a cada ano, a cada quilo, a cada taça de vinho, em episódios cada vez menos esporádicos de sinfonia noturna para uma orquestra de serrotes. Tortura para ouvidos sensíveis e sonos leves.

    Desta vez, ao menos, havia acordado sozinho. Desnecessário o cotovelaço habitual, evitada mais uma rodada de constrangedoras discussões sobre as dificuldades inerentes à convivência conjugal sob a gestão de Morfeu.

    Pensou, esfregando o braço que dolorosamente formigava, lentamente recuperando a circulação e retornando à vida: não entendia como um casal casado podia chegar ao ponto de admitir dormir em camas separadas. Daí a banheiros, quartos e casas separadas um passo, questão apenas de saber o valor que cada um dava a espaço, privacidade, mantendo intacta uma “zona de conforto” individual em detrimento de uma intimidade a tão duras penas compartilhada, na alegria, na tristeza, nas fortuitas emissões gasosas, no mau hálito matinal, na apnéia do sono.

    Precisamos conversar sobre nossos modos na cama
    Afastou-se aos poucos, o corpo nu como o da companheira de casa, cama e casamento. Raríssimo consenso: ele costumeiramente com calor, ela quase sempre com frio, justificando o constante roubo de lençóis e cobertores, dificuldade adicional quanto ao convívio horizontal.

    Camas separadas, refletiu enquanto procurava pelo chão a cueca samba-canção. Talvez proporcionassem ao casal um sono de melhor qualidade; repouso assegurado, garantia de um funcionamento melhor no cotidiano. Sonho de consumo. Mas valeria à pena abrir mão das possibilidades implícitas no “dividir o colchão com a pessoa amada”? Não apenas o sexo, o pré-sexo, o pós-sexo: rituais de sedução em vigor por mais de década, cessar-fogo negociados após prazerosa batalha (ou duas, ou três), doces palavras ditas ao pé do ouvido em meio a lençóis meticulosamente desgrenhados, sem obrigatoriedade de nesse momento um ou outro dirigir-se ao próprio leito.

    Dirigiu-se à cozinha pensando em quão rapidamente haviam caído os dois no sono desta vez, cansados, suados, satisfeitos. Serviu-se de um generoso copo d’água. Na mente, a certeza de que dividir representava nesse contexto somar. Individualidade e cumplicidade, meio-termo a ser buscado entre concessões, descobertas e aprendizado. Sorriu, feliz com a perspectiva de retornar à cama que enxergava como palco de uma união já tão bem entrosada, em tantos níveis. Seria diferente por que na hora de dormir?

    Aconchegava-se, minutos depois, no sofá da sala, seu lugar na cama ocupado pela filha do meio, em migração noturna pós-pesadelo. Conchinha? Sonharia com isso. No exílio.

    ***RESPALDO EM ERICO VERÍSSIMO MESMO SENDO UMA PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA.

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