Grenal dos sonhos

Domingo, 24 de outubro de 2010, estava em Porto Alegre em um dia agradável de primavera, na expectativa de assistir meu primeiro Grenal ao lado de meu irmão. Era o primeiro Grenal dele, eu já tinha alguns no currículo.

Eu e minha namorada conversávamos tranquilamente pela manhã quando surgiu o assunto, qual o motivo da impossibilidade de ver o jogo no estádio ao lado de um gremista ou colorado? Nós, gaúchos não nos consideramos ser o povo mais culto e educado do Brasil? Então eu me via argumentando os motivos que possibilitariam isso e minha namorada de imediato comentou… Tu quer ver briga? Quer que as torcidas se matem?

Minha real intenção não era essa. Pensei… quando vou poder ver um Grenal com ela ao lado, ela é colorada e privá-la de comemorar um gol, seria justo? Hoje em dia só se um de nós assistir ao Grenal infiltrado em uma das torcidas, pois outra forma não há.

Bem, segui refletindo e pensando, se por “azar” ou “sorte” depende do ponto de vista de cada um, eu vier a ter um filho colorado, nunca vou ter esse prazer, não que eu torça por isso, mas não temos o poder de determinar certas coisas. Meu pai é colorado e felizmente deixou aberta a possibilidade de me tornar gremista para minha sorte.

Voltando ao começo, será que nunca vou poder ir a um Grenal e poder desfrutar deste clássico em família? Lá em casa somos 3 gremistas e 2 colorados, mas grande parte de minha família (avós, tios e primos) é colorada. Será que não somos educados suficientes para poder conviver socialmente em um estádio de futebol?

A dura realidade

Combinei de encontrar com meu irmão, assim que ele chegasse em Porto Alegre. Lá pelas 16:00 estávamos nos preparando pra entrar no Olímpico e encontrei um grande amigo que já fazia algum que não o via, como o futebol oportuniza coisas maravilhosas, além da emoção do jogo em si.

Antes disso, fui surpreendido pela chegada da torcida do Inter ao estádio, nunca tinha presenciado a forma como os torcedores adversários são conduzidos. Desculpem o termo, mas parece um rebanho, sendo tocado pela polícia. No dia era a torcida do Inter, mas se o Grenal fosse no Beira Rio seria a do tricolor, e mais uma vez pensei a que ponto chegamos… não somos capazes de respeitar a opinião e manifestação pessoal de alguém por um clube de futebol? A sociedade atual evolui na velocidade da luz em vários aspectos e em outros volta à idade da pedra. Bem, vamos ao jogo.

Entramos tranquilamente, bem nem tão tranquilo assim, antes de entrar no estádio me senti entrando em um presídio (na verdade, nunca entrei em um, mas imagino como deve ser), levava uma mochila com algumas coisas que acabara de comprar. O policial pediu para que abrisse a mochila e mostrasse o que havia dentro, prontamente atendi sua solicitação, que apesar de todo desconforto da situação foi muito educado. Ele verificou que não portava nada demais, e após uma revista pessoal liberou minha entrada.

Já fazia algum tempo que não via meu irmão e estávamos conversando já devidamente acomodados quando começa uma briga na torcida do Inter. Notei que ele ficou assustado, eu como infelizmente esse fato não é novidade, não dei muita importância. A polícia teve que intervir e a confusão estava formada. Fiquei ao mesmo tempo pensativo e triste, no começo do dia filosofava com a possibilidade de integração das torcidas e me deparava com o fato que nem as torcidas dos próprios times se entendem, falo assim porque sei que na torcida do grêmio isso ocorre também.

Tenho uma opinião pessoal sobre isso. Avalio que os “brigões” são pessoas frustradas e mal resolvidas, e externam todas suas frustrações em um estádio de futebol, pois para elas o clube é sua vida. O grêmio para mim é muito importante, mas não é minha vida, e sim faz parte dela.

Voltando ao jogo… o grenal foi o melhor grenal que já assisti, foi extremamente disputado e muito técnico, este em especial tinha um fato marcante, era o último clássico de Simon, que apesar de todas contestações que sofre é inegável sua qualidade.

Após uns 10 minutos de domínio do Inter o Grêmio tomou conta do jogo e marcou seu gol, poderia ter matado o jogo e não o fez, e grenal é grenal. O inter empatou, após o pênalti que deixou o grêmio com um jogador a menos. Mesmo assim o Imortal fez mais um, e o Inter buscou o resultado mais uma vez.

Fim de jogo, a nação tricolor sai do jogo com um gostinho de derrota, mas o resultado não freia a arrancada firme do Imortal rumo ao título na minha avaliação (não estou louco, eu acredito). E a torcida colorada comemora o resultado como se fosse uma vitória e segue sua preparação para o mundial.

Eu, após esse grande jogo e minhas reflexões estou aqui escrevendo esse texto, pensando… será que quando eu tiver meus netos, independentemente se sua escolha clubística vou poder acompanhá-los e curtir um Grenal ao lado deles? Ou isso só será um sonho…

Frederico da Luz – 25-10-2010

Política, a gente tem que entender!

Em tempo de eleições o assunto é este, então não tenho como não me posicionar. Qual o objetivo de um partido? De um candidato a presidência? Entendo que o objetivo final é o mesmo, independentemente do partido e /ou candidato, obviamente estou pressupondo que eles buscam uma melhora da sociedade como um todo, criem oportunidades para um desenvolvimento sustentável (é a palavra do momento, por que será? Será que estão querendo os votos da Marina?), invistam em educação, segurança e saúde.

Eu tenho uma opinião pessoal, em relação a isto. Acho que a educação é a base de tudo, povo sem educação, não visualiza as oportunidades e quanto estas aparecem, não tem a possibilidade de aproveitá-las justamente porque não tem a base. Como um povo que não conhece o porquê do momento que vivenciamos vai ter coerência e possibilidade de ter uma saúde adequada, o termo saúde é usado aqui não só como saúde física e mental, mas sim no sentido mais amplo de bem estar social. Já a segurança no meu entendimento tem como suas principais causas à falta de educação que diminuem as oportunidades e que só potencializam ainda mais a violência.

Eu pessoalmente sempre me considerei um simpatizante do PT, até pela questão familiar, meu Pai (Guto Nadal) foi um dos fundadores do partido em Quaraí-RS e teve importante papel na estruturação do mesmo na fronteira-oeste do RS. No entanto, hj não me considero simpatizante de nenhum partido, corrigindo, posso dizer que tenho uma simpatia pelo PV, considero que ainda o mesmo não foi contaminado pelo sistema (pode ser ingenuidade minha, mas…).

Bem agora entrando mais especificamente na eleição presidencial deste ano. Como cidadão me sinto extremamente decepcionado com ambos os candidatos, a propaganda eleitoral na minha opinião é a mais fraca desde 94, foi quando comecei acompanhar as eleições. Vocês conseguem ver as propostas? Os programas de governo?

Eu pelo menos não. São só ataques pessoais, um tentando denegrir e prejudicar o outro de todas as formas, e nós os eleitores como ficamos nessa história? Me sinto num circo, só que não como expectador e sim fazendo papel de palhaço, perdendo meu tempo em debates e programas eleitorais que não me dão nenhuma perspectiva quanto ao futuro de nosso País, o maravilhoso Brasil.

Um País como o nosso merecia algo melhor, temos um vasto e rico território, uma natureza privilegiada, um povo trabalhador e batalhador. Voltemos à realidade, estava sinceramente inclinado a votar nulo, mas não estava me sentindo bem com isso, parecia que estava fugindo da responsabilidade “tirando o corpo fora”, então decidi, coloquei os prós e contras dos dois candidatos e optei, obviamente não me sinto no direito de expor meu voto, até porque este espaço não é para isso. Mas tentem fazer esse exercício, comparem os prós e contras de ambos candidatos e decidam, não se eximam dessa responsabilidade, votem no menos pior, é o que vou fazer.

 

Frederico da Luz – 20-10-2010

                                                                                                                          

A busca constante, a luta contra a inércia

Quem nunca escutou uma crítica antes mesmo de sugerir ou conseguir expor sua ideia ou trabalho de modo completo. Muitas pessoas têm esse “dom” de criticar tudo que as tire da inércia que normalmente mantém em suas vidas. Não tenho nada contra as pessoas que pensam e agem dessa forma, no entanto, esse estilo de vida para mim não serve, e para você?

Sou funcionário público e no trabalho escuto cada justificativa para não mudar procedimentos e métodos que entendo ultrapassados que beiram ao ridículo. Algumas pessoas têm aversão a mudanças, não querem evoluir, e qual o motivo disso? Entendo que há um comodismo demasiado, uma certa resignação e até mesmo uma inércia contagiosa.
Estas pensam… ”Mudar para quê? Isso não vai resolver mesmo… não vai dar em nada… sempre foi assim…

Por favor, gente! Acordem! O que vocês vieram fazer aqui (neste planeta)? Ganhar dinheiro, casar e ter filhos, isso basta? Não estou dizendo que isso não é importante, acho muito importante, e é um de meus objetivos pessoais de vida, mas isso é o fim? O objetivo maior? Existe objetivo maior?

Eu não tenho dúvida que sim, acho que isso é uma constante busca. Não esperem que chegue alguém e bata na sua porta, Sr. Fulano(a) seu objetivo de vida é o seguinte… favor cumpri-lo, ou senão, queimarás no inferno.

Não, não, não… Não funciona assim, o objetivo de cada um é uma busca pessoal, cada um tem o poder de descobrir qual será o seu objetivo de vida, e este pode ser mudado, adequado durante a vida, não há rigidez nesse sentido, só que a busca deve existir, devemos lutar contra a inércia.

Pessoal, mais uma vez esclareço. Escrevo o que penso, são percepções minhas, não tenho o poder de dizer a verdade, nem tenho essa pretensão, até por que a minha verdade, pode não ser a sua. Quero “tentar” ao menos, ajudar vocês a se “encontrarem” se ainda estão um pouco perdidos.

Frederico da Luz – 07-10-2010